O agravamento da situação de instabilidade na Nigéria está a afectar o Governo e a comprometer, em particular, as ambições de Muhammadu Buhari conseguir os votos suficientes para um segundo mandato nas eleições que decorrerão em Fevereiro do próximo ano.

Esta nova espiral de violência, tem como rastilho o conflito étnico que opõe os pastores e agricultores no centro do país e que já matou seis vezes mais pessoas do que as acções que continuam a ser desencadeadas pelo grupo terrorista Boko Haram.
 
Esta nova face do conflito nigeriano, gerador de uma enorme violência, pode afectar directamente a eleição presidencial, conforme é reconhecido num relatório recentemente elaborado pela organização “International Crisis Group” (ICG).
 
De acordo com o relatório, reconhecido como factual de acordo com diplomatas estrangeiros acreditados na Nigéria, o conflito provocado pela disputa de terras matou 1.300 pessoas e fez deslocar 300 mil, o que equivale a seis vezes mais mortos do que os causados pelo grupo Boko Haram no primeiro semestre deste ano.
 
No documento, é referido que a concorrência pelo acesso à terra e aos recursos, agravada pela explosão demográfica, tornou-se na ameaça de segurança mais séria à paz da Nigéria.
 
Esta ameaça agravou-se no final do ano passado com a adopção de uma Lei que proíbe a transumância e a pastagem livre, visando favorecer a agricultura promovendo a construção de fazendas agro-pecuárias vedadas.
 
A entrada em vigor desta lei, em Novembro de 2017, provocou uma troca de argumentos entre as autoridades e o sindicato dos pastores que continuam a reivindicar uma vida nómada e exigem energicamente a sua revogação.
 
Na sequência desta troca de argumentos e perante o impasse em relação à eventual revogação da lei, várias comunidades rurais dos Estados do centro da Nigéria decidiram criar mecanismos de auto-defesa armada, o que provoca um ciclo de represálias que afectaram a produção agrícola, tendo como resultado o galopante aumento dos preços dos bens alimentares.
 
Um problema religioso
 
Segundo o relatório, o conflito, essencialmente de terra, passou a transformar-se num confronto religioso com vários bispos dos Estados de Benue e de Nassarawa a denunciarem um “claro programa de islamização do centro do país”.
 
No início de Julho, estes mesmos bispos publicaram um comunicado onde consideravam não ser uma simples coincidência o facto dos responsáveis dos crimes serem da mesma religião que a dos que controlam os serviços de Segurança, incluindo o próprio Presidente da República.
 
Dias antes desta publicação, o Presidente Muhammadu Buhari tinha sugerido que as violências eram incitadas por “opositores desesperados”, devido à eleição presidencial de 2019.
 
Para a ICG, esta onda de violência inter-étnica pode enfraquecer o Presidente e o seu partido nas eleições do próximo ano, embora reconheça que a forma como Buhari está a gerir o conflito possa reforçar a adesão da comunidade fulani (Peul) (islâmica) à sua pessoa. Numa crítica à postura que vem sendo assumida por Muhammadu Buhari, a organização refere que as posições radicalmente opostas sobre a forma como vem exercendo a Presidência podem alimentar tensões inter-partidos, inter-regionais e inter-confessionais durante a campanha para as eleições de 2019, com todos os riscos que daí resultam.
 
Para complicar ainda mais a situação de instabilidade, há a registar o aumento para 34 mil do número de refugiados provenientes da região anglófona dos Camarões.
Esta situação resulta do agravamento do índice da violência causada pelo conflito entre o Governo central camaronês, de maioria francófona, e a minoria anglófona separatista.
Esta minoria, que representa cerca de 20 por cento do total da população dos Camarões, está localizada junto à fronteira com a Nigéria e foge para este país sempre que se vê fustigada pelas forças de segurança.
 
Em Outubro do ano passado, líderes da comunidade anglófona proclamaram a “República Secessionista de Ambazónia”, carente de reconhecimento regional e internacional.
 
A proclamação separatista de Outubro passado foi acompanhada da formação de uma milícia armada que causou dezenas de baixas às forças do Exército e à Polícia, enviadas para as áreas com vista a pôr em vigor o estado de emergência decretado pelo Presidente Paul Biya.
 
Parte destas milícias, segundo fontes locais, estão agora em território nigeriano onde também podem recorrer à violência para garantir a sua sobrevivência física.

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