O Centro Paulo Freire e uma ameaça de despejo recheada de absurdos | Land Portal | Protegendo os direitos da terra através de dados abertos
Por Aristóteles Cardona Júnior
 
No momento em que escrevo esta coluna, dezenas de famílias de agricultores seguem apreensivas na cidade de Caruaru, em Pernambuco. Refiro-me às famílias que moram e trabalham no Assentamento Normandia, naquela cidade do agreste, e que veem o Centro de Formação Paulo Freire e suas Agroindústrias, sob ameaça de despejo por parte da Justiça Federal. Na realidade, a ameaça de despejo é um grande absurdo jurídico que, não por acaso, ganha corpo neste momento de nosso país em que a extrema-direita, representada pelo governo de Bolsonaro, segue na tentativa de destruir todo e qualquer avanço social conquistado com muita luta em nosso país.
 
Esta ameaça de despejo está recheada de absurdos. Um deles está relacionado ao trabalho destas famílias que produzem muitos produtos de qualidade, orgânicos, e que são comercializados em escolas de diversas cidades, por exemplo. O Centro Paulo Freire, mantido pelo MST, onde acontecem continuamente cursos de formação, como os voltados para a produção agrícola e o avanço da agroindústria do próprio assentamento.
 
Não fica por aí. Até para formação em saúde, o Centro tem sido importante. Desde 2015, por exemplo, ele se tornou cenário de prática para profissionais de saúde que estão se especializando em saúde do campo em Residência da Universidade de Pernambuco. De lá para cá, já são dezenas de profissionais que se tornaram especialistas nesta população e hoje atuam em vários estados e localidades por todo o Brasil. Acontecem também atividades que compõem a formação de estudantes de graduação de cursos como o de medicina, com estágios e projetos de extensão, assim como oficinas e aulas sobre manuseio de fitoterápicos, plantas e ervas medicinais.
 
No fim das contas, a alegação do INCRA para a solicitação do despejo não faz mais nenhum sentido. Normandia hoje é um importante difusor de produtos, de suas três agroindústrias, e de conhecimento, através dos cursos e formações que são realizados no Centro Paulo Freire. É por isso que é bonito de se ver tantas famílias resistindo ao despejo e lutando por suas conquistas.
 
A resistência do Assentamento hoje representa a necessária resistência de nosso povo. Que Normandia siga produzindo e que o Centro Paulo Freire siga formando trabalhadores e trabalhadoras comprometidos com a realidade. 
 
Matéria originalmente publicada em Brasil de Fato

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