Geografia, gênero e contra-espaço: mulheres no assentamento Serra Dourada – Goiás/GO - Brasil | Land Portal
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Date of publication: 
Diciembre 2016
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A Geografia é uma ciência que estuda o espaço (re)produzido a partir das relações sociais - dentre as quais as de gênero - estabelecidas no âmbito do trabalho social e conduzidas pelas demandas hegemônicas do capital. A concentração fundiária do município de Goiás/GO é um reflexo dessas demandas, representando a espacialização do capitalismo no Brasil e evidenciando as desigualdades inerentes desse sistema, por exemplo, ao impedir que parcela de camponesas e camponeses tivessem a possibilidade de se (re)produzirem social, cultural e economicamente, a partir do acesso a terra. Diante disso, essa classe se organizou em torno da luta pela terra reverberando na criação de vinte e três assentamentos rurais no município de Goiás/GO, dentre os quais o Assentamento Serra Dourada, território delimitado para essa pesquisa. Essa visa compreender a atuação das mulheres camponesas do Assentamento Serra Dourada na produção de contra-espaços. Para isso, os procedimentos metodológicos selecionados foram organizados em três etapas contínuas e concomitantes: revisão bibliográfica; levantamento de dados e informações; pesquisa de campo, com realização de entrevistas semiestruturadas, observação participante, mapeamento participativo e caminhada transversal. Foi possível observar que esse Assentamento se apresenta como uma contra hegemonia por ter possibilitado que as camponesas e os camponeses resgatassem seus modos de vida e produzissem contra-espaços, ou seja, espaços produzidos a partir de uma lógica contra-hegemônica, por meio da produção de hortaliças ou de outros alimentos para autoconsumo e comercialização; das relações de reciprocidade estabelecidas entre os membros do grupo familiar, destes com as outras e os outros e também com o Cerrado; das manifestações religiosas; ou, ainda, da organização familiar em torno do trabalho na terra. A organização do grupo familiar obedece a uma estrutura patriarcal em que o homem é responsável pelo direcionamento do trabalho, enquanto a mulher, as filhas e os filhos são subordinados a ele. As funções desempenhadas pelas mulheres no espaço produtivo são aquelas socialmente consideradas mais leves e que exigem maiores cuidados, em contraposição às dos homens. O lugar social ocupado por elas é, predominantemente, o reprodutivo. Percebemos um fortalecimento das mulheres do Assentamento no âmbito das relações familiares como, também, entre as camponesas e os camponeses com quem convivem, propiciado pela participação no cultivo e, posteriormente, na venda de seus produtos em feiras na Cidade de Goiás/GO, pelo fornecimento a programas governamentais e pela participação em movimentos sociais. Todavia, não foi suficiente para que houvesse uma revisão das estruturas de poder do grupo familiar em razão de fatores como fragilidade de seus territórios no espaço público, invisibilidade do trabalho doméstico somado ao pensamento patriarcal/capitalista que considera o espaço reprodutivo como subordinado ao produtivo. Entendemos que a luta por igualdade de gênero está extremamente vinculada à luta de classes, em um sentido de complementaridade, e, portanto, deve ser considerada ao se pensar a ruptura com as amarras de uma ordem cujas relações capitalistas e patriarcais formam, juntas, um sistema que submete os membros de uma classe social, composta por mulheres e homens que sofrem juntas e juntos, mas, diferentemente, as situações de opressão.

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