Até o ano de 2050, a degradação de terras pode gerar um deslocamento interno de 143 milhões de pessoas. Segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, essas pessoas terão que se mudar para fugir da falta de água e queda na produção de alimentos causados pelos impactos iniciais da mudança climática.
 
Em nota para o Dia Mundial de Combate à Desertificação, marcado neste 17 junho, o secretário-geral António Guterres disse é preciso “reconhecer o valor imenso das terras produtivas e saudáveis no fortalecimento das comunidades mais pobres, as quais estão lidando com as secas e outros desastres climáticos iniciais.”
 
Insegurança
 
O processo de desertificação foi identificado pela Convenção sobre Mudanças Climáticas como uma das possíveis causas na queda na produtividade das terras. De acordo com o Panorama Global da Biodiversidade, 45% da comida produzida no mundo vem de regiões secas.
 
O estudo diz ainda que quedas na produtividade, falta de alimentos e água, estão gerando insegurança mundialmente.  Duas em cada cinco pessoas já sentem os efeitos do fenômeno.
 
De acordo com a ONU, entre 1983 e 2013, 20% das terras do planeta foram degradadas e ao todo, dois bilhões de hectares de terras no mundo estão deteriorados. Porém, a maior parte das terras pode ser recuperada.
 
Impactos
 
Guterres diz que a “ciência fornece o conhecimento e as ferramentas necessárias para o gerenciamento das terras e superação das secas e os impactos das mudanças climáticas, e que governos e comunidades que dependem da terra podem agora se preparar para secas futuras.”  
 
Apesar das tecnologias existiram, segundo a ONU, os instrumentos políticos a investimentos para promoverem elas não existem. Por isso, muitas comunidades dependentes do uso das terras ficam expostas às mudanças no clima, como secas, chuvas imprevisíveis e o desaparecimento de fontes subterrâneas de água.
 
Neste vídeo em inglês, a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação aborda a ligação entre a degradação de terras e a migração. 
 

Vilas

Para evitar os riscos da degradação a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, Monique Barbut, disse que consumidores e setores privados precisam se unir aos governos para salvas as terras saudáveis.

“A terra vale muito mais do que o seu valor econômico. Ela define a nossa forma de vida e cultura, tanto para quem vive nas cidades ou em vilas. Ela purifica a água que bebemos, nos alimenta, nos rodeia com beleza. Mas não podemos satisfazer as necessidades de uma população em crescimento se a quantidade de terras saudáveis e produtivas continuarem a decair de forma tão dramática. ”

Este ano, eventos oficiais da ONU para marcar o Dia de Combate à desertificação acontecem no Equador, na capital Quito. O país promove a bioeconomia entre os agricultores com o objetivo de difundir o uso de tecnologia de gerenciamento sustentáveis, que possam manter a produtividade das terras.

Entre as ações recomendadas pela ONU na campanha deste ano, estão a mudança no comportamento dos consumidores e padrões de produção insustentáveis, a adoção de planos eficientes de uso das terras e a criação de mecanismos que incentivem o setor privado a investir na restauração de terras degradadas.

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