Zimbábue indenizará brancos que perderam terras para negros em reforma agrária | Land Portal

HARARE — O governo do Zimbábue anunciou nesta segunda-feira que indenizará milhares de agricultores brancos expulsos das suas terras há duas décadas por uma reforma agrária conduzida pelo ex-presidente Robert Mugabe . À época, início dos anos 2000, cerca de 4,5 mil produtores tiveram suas propriedades entregues a cerca de 300  mil famílias  negras, com o objetivo de corrigir as extremas desigualdades herdadas da colonização britânica .

A reforma, que teve episódios de violência, acabou acusada de beneficiar sobretudo grupos e pessoas próximas a Mugabe. Em muitos casos,  foi feita sem que fosse dada formação especializada aos novos proprietários nem equipamentos para facilitar as atividades agrícolas, o que provocou queda na produção. Por isso, a reforma agrária ainda divide a opinião pública do país africano. De um lado, é vista como reparação pelas injustiças do colonialismo; do outro, os opositores da Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica), partido que conduziu a luta pela independência e se mantém no poder desde então, a veem como um processo partidário que agravou a insegurança alimentar.

O governo do atual presidente, Emmerson Mnangagwa, vê o pagamento de indenização aos fazendeiros brancos como chave para  recompor os seus difíceis laços com o Ocidente e também como o caminho para a resolução do conflito entre governo e ex-proprietários brancos.  Os pagamentos iniciais terão como alvo aqueles em dificuldades financeiras, enquanto a compensação total será paga posteriormente.
 
Mnangagwa se comprometeu a incentivar a economia do país, sobretudo por meio da agricultura. Seu governo, que assumiu após a destituição de Mugabe em 2017 e foi reeleito no ano passado, ordenou o esvaziamento de propriedades ocupadas ilegalmente.
 
O governo afirma que está conversando com instituições financeiras internacionais sobre opções para arrecadar o valor total necessário para pagar aos agricultores, que deverá, segundo primeiras estimativas, chegar a US$ 53 milhões. Até o momento, foram separados por Harare US$17,5 milhões, segundo autoridades.
 
Após a independência do Zimbábue, em 1980 — uma das últimas ocorridas na África —, o Reino Unido, a antiga metrópole, se comprometeu a financiar um programa de reforma agrária. O programa, em bases voluntárias, caminhou de forma lenta e não satisfez as demandas da população negra majoritária. Foi nesse contexto que Mugabe iniciou a desapropriação compulsória de terras, pelo que foi sancionado por Londres.

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