Mobilização popular barra mais uma vez o avanço da mineração na Patagônia argentina | Land Portal
Foto: Daniela Quinteros Rosas
 
Há mais de 18 anos, a moradores resistem e impedem o avanço do extrativismo mineral na na região
 
Em meio a uma jornada plurinacional, convocada pela  União de Assembleias Comunidades Chubutenses e que se estendeu por toda a Argentina contra a atividade de mineração na província de Chubut, na Patagônia, a sessão legislativa extraordinária que trataria do Projeto de Lei 128/20 foi cancelada nesta sexta-feira (5).
 
O PL busca habilitar a atividade na região conhecida como “Meseta”. Ainda não há previsão de nova data para o tema entrar em pauta.
 
Há mais de 18 anos, a mobilização popular resiste e impede o avanço do extrativismo mineral na Patagônia argentina.
 
Fonte: El Chubut
Mapa do planejamento de zonificação mineira em Chubut, divulgado em 2018. / El Chubut
 
A atividade mineradora é altamente contaminante, e utiliza grande quantidade de explosivos, água, energia e substâncias tóxicas para extrair o minério do subsolo. São recursos naturais não renováveis, considerados bens comuns, e cuja exploração pelas mineradoras provoca impacto ambiental irreversível, intoxicando rios e terras.
 
O atual governador de Chubut, Mariano Arcioni, é um incentivador do projeto mineiro na região, e tem buscado votos na Câmara dos Deputados para aprovar a exploração em Telsen e Gastren, na área central da província.

 

Suas investidas contrariam a vontade popular, expressa em um plebiscito de 2013 que teve como resultado 82% de rejeição às mineradoras na província.
 
Outras zonas de interesse da mineração no sul da Argentina dão exemplo das consequências dessa atividade. A mineradora La Alumbrera, em Catamarca, por exemplo, tem autorização para utilizar mais de 86 milhões de litros de água por dia, excedendo inclusive o consumo total da província. Além disso, utiliza 85% do consumo de energia elétrica de Catamarca.
 
Diante da dificuldade de avançar por vias democráticas, as grandes empresas mineiras têm utilizado uma ferramenta já bem conhecida: lobby e fake news.
 
Nestas últimas semanas, foi revelado como a mineradora Pan American Silver financia uma agência de comunicação para desviar as denúncias da sociedade civil contra os efeitos nocivos do extrativismo e da compra de políticos da região.
 
A agência, em nome do empresário Martín Aníbal Hazal, criou o domínio Vecinos de la Meseta (Moradores da Meseta) e um site que apoia, abertamente, a exploração mineradora em Chubut, passando-se por um movimento civil que defende a ampliação de empregos e o progresso da província.
 
O conteúdo tem sido difundido em publicidades no YouTube e por meios de comunicação que acompanham o lobby minerador.
 
Em um artigo publicado no jornal Perfil, a socióloga Maristella Svampa e o advogado ambiental Enrique Viale, referencias no ativismo ambiental, argumentam que a mineração não é sinônimo de progresso.
 
“Apesar das reiteradas promessas, a mineração metalífera representa menos de 0,045% da população economicamente ativa (PEA) da Argentina. Inclusive no Peru, país minerador, a mineração ocupa 2% da PEA, contra 23% da agricultura, 16% do comércio e 10% da manufatura.”
 
“Onde há mega mineradoras, há conflito social, ambiental e saque econômico”, concluem.
 
Edição: Leandro Melito

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