Tudo, em toda parte, todos juntos: como a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente pode conduzir o mundo para um futuro sustentável | Land Portal

Foto: Bob Wick/Bureau of Land Management/Flickr (CC BY 2.0​)

Subsecretária-Geral das Nações Unidas e diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Inger Andersen, divulga artigo de opinião sobre a importância da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, conhecida como UNEA.

O mundo não tem apenas uma lista afazeres ambientais. O mundo tem uma lista imperativa de ações ambientais – para 2024 e para as décadas futura. Temos de desacelerar as mudanças climáticas e nos adaptar a elas, proteger e restaurar a natureza e a biodiversidade, reverter a degradação dos solos e a desertificação, acabar com a poluição e os resíduos. Se acertarmos, poderemos construir um futuro que funcione para muitos, não apenas para poucos – um princípio que está no centro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Nações em todos os estágios de desenvolvimento se comprometeram a trabalhar para esse futuro sustentável sob dezenas de acordos ambientais multilaterais. Em tempos de crise geopolítica e mudanças no cenário político, isso não é tarefa fácil. A ação sobre o meio ambiente é uma força poderosa de união.
Há acordos globais que estabelecem metas e objetivos acordados, como o Acordo de Paris, o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal e o Marco Global sobre Produtos Químicos. Muitas empresas e investidores estão prometendo alinhar seus modelos e capital com aspirações de baixo carbono e positivas para a natureza. Bancos internacionais e organizações de todos os matizes estão fazendo da ação ambiental uma parte central de seus objetivos. A comunidade científica está cada vez mais deixando de apenas soar o alarme para indicar soluções.

O ano passado foi o mais quente já registrado, com ondas de calor, tempestades e secas causando estragos. Milhões de pessoas morreram devido à poluição do ar, da terra e da água.

No entanto, os avanços em fazer os compromissos se tornarem ações transformadoras devem ganhar mais celeridade rapidamente. O ano passado foi o mais quente já registrado, com ondas de calor, tempestades e secas causando estragos. Milhões de pessoas morreram devido à poluição do ar, da terra e da água. As florestas tropicais continuaram a encolher e as populações de espécies cruciais para a saúde do ecossistema diminuíram. Todos os dias, todas as semanas, todos os meses isso continua, a humanidade cava um buraco mais profundo de onde levará mais tempo para sair.

No entanto, não se trata apenas de trabalhar mais; trata-se de trabalhar de forma mais inteligente. Com tantos acordos em jogo, há um risco crescente de fragmentação. Este é um desafio que precisamos enfrentar, garantindo que o trabalho em cada compromisso se encaixe e amplie o trabalho dos outros. Afinal, estamos essencialmente perante um único desafio global: aquilo a que nós, no Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), chamamos a tripla crise planetária: a crise das alterações climáticas, a crise da natureza e da perda de biodiversidade e a crise da poluição e dos resíduos. Os principais motores de todos os desafios ambientais são muitas vezes os mesmos: consumo e produção insustentáveis são os principais entre eles. As melhores soluções para implantar são aquelas que atingem vários desafios ao mesmo tempo.

A Assembleia, o órgão decisório de mais alto nível do mundo sobre meio ambiente, une as nações a cada dois anos para olhar não apenas para questões isoladas, mas para tudo, em toda parte, todos juntos.

É aí que entra a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, conhecida como UNEA. A Assembleia, o órgão decisório de mais alto nível do mundo sobre meio ambiente, une as nações a cada dois anos para olhar não apenas para questões isoladas, mas para tudo, em toda parte, todos juntos.
A sexta reunião da Assembleia acontece este mês em Nairóbi, no Quênia, na sede do PNUMA – que abriga os secretariados de mais de duas dezenas de acordos, convenções regionais e painéis científicos. Este ano, convidamos os acordos multilaterais em matéria de ambiente, as nações e, na verdade, todos os atores a reunirem-se e a encontrarem novas formas de trabalharem em conjunto para um objetivo comum.

Não estou dizendo que isso será simples. Há dezenas de instituições que abrangem centenas de objetivos e metas. O Acordo de Paris visa a limitar o aumento da temperatura global a bem menos de 2°C ou 1,5°C. O Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal prevê a proteção, restauração e gestão sustentável das terras, oceanos, áreas costeiras e águas interiores da Terra. As nações buscam a neutralidade da degradação da terra sob a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. O Protocolo de Montreal continua a proteger a camada de ozônio e está contribuindo para a ação climática. Temos outros acordos para fazer tudo, desde proteger as espécies até proteger as pessoas e o planeta de produtos químicos e resíduos nocivos. Um novo instrumento para acabar com a poluição plástica também está em fase final. Enquanto isso, as nações intensificarão a UNEA-6 com novas resoluções destinadas a enfrentar a tripla crise planetária.

Com tanta coisa acontecendo, às vezes parece que estamos todos em um barco mirando o mesmo porto, operando dezenas de casas de máquinas diferentes conectadas a lemes diferentes. Não estamos pegando a rota mais rápida e direta para o destino. Na UNEA-6, todos devem se esforçar para encontrar novas maneiras de coordenar as casas do leme. Aprender uns com os outros e aplicar lições do passado ao futuro. E começar a cumprir os muitos compromissos que tornarão o planeta, e a humanidade, íntegros e saudáveis

 

 

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