A escalada de violência nos confrontos entre pastores nômades armados e fazendeiros em várias partes da Nigéria deixou 3.641 mortos, dos quais 57% morreram este ano, segundo um relatório publicado nesta segunda-feira pela Anistia Internacional (AI).

"A letargia das autoridades permitiu que a impunidade crescesse e que os crimes se expandissem a muitas partes do país, aumentando ainda mais o sofrimento das comunidades que já viviam com o medo contínuo do próximo ataque", disse a diretora de AI na Nigéria, Osai Ojigho, em comunicado.

Os ataques, segundo o relatório "A colheita da morte: Três anos de confrontos sangrentos entre pastores e fazendeiros", são premeditados e planejados, com o uso de fuzis de assalto e sem que as autoridades tenham feito muito para prevenir os ataques ou prender os responsáveis, segundo a AI.

As quase 4 mil mortes foram registradas pela ONG desde que a apuração teve início, em janeiro de 2016, através de visitas de campo e entrevistas com testemunhas, vítimas, líderes comunitários e religiosos e autoridades governamentais.

O que muitas vezes é tratado como um conflito étnico e religioso entre pastores armados da etnia Fulani (de maioria muçulmana) e fazendeiros cristãos, "nada tem a ver com religião ou etnia", segundo Osai.

"É muito mais pela terra e pelo acesso ao pastoreio", explicou a diretora, que alegou que "pelos erros das forças de segurança, a competição pelo acesso aos recursos é usada como um pretexto para matar e mutilar por questões étnicas e religiosas".

Os confrontos, em muitas ocasiões, duram vários dias e causam dezenas de mortes.

Em 1 de janeiro de 2018, por exemplo, nas localidades de Guma e Logo (sudeste), um grupo armado atacou a população civil durante 11 dias, deixando 88 mortos, dos quais somente 73 corpos foram achados.

"As autoridades têm que investigar a resposta lenta das forças de segurança que causaram um número tremendo de mortes", pediu Osai.

Como reação a esta investigação da AI, o exército nigeriano pediu que os escritórios da ONG no país fossem fechados, alegando que a organização "está trabalhando para desestabilizar o país".

O porta-voz do exército, Sani Usman, acusou a AI de fabricar alegações fictícias sobre supostos abusos de direitos humanos das forças de segurança, segundo um comunicado da "Agência Nigeriana de Notícias" (NAN).

Os pastores Fulani levam suas cabeças de gado por todo o país em busca de pasto e às vezes destroem campos de cultivo de fazendeiros cristãos locais em brigas constantes na região central da Nigéria.

A luta pela apropriação dos recursos naturais entre pastores nômades e fazendeiros locais é uma das principais causas da violência, com a qual brigam por terras e água.

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